Doenças Alérgicas

Reação de Hipersensibilidade a Medicamentos


O que é?

Reação de hipersensibilidade a medicamentos (RHM), é definida como: “qualquer efeito prejudicial ou indesejável, não intencional, que aparece após a administração de um medicamento em doses normalmente utilizadas para a profilaxia, o diagnóstico e o tratamento de uma enfermidade”

As reações de hipersensibilidade a drogas afetam mais que 7% da população em geral, se constituindo em grave problema de saúde pública. Em nosso meio, os medicamentos mais frequentemente envolvidos nas reações de hipersensibilidade são os antibióticos e os antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs).


Sintomas

Em mais de 80% dos casos há envolvimento cutâneo, sendo as erupções maculopapulares, urticária/angioedema, eritema multiforme e dermatite de contato as mais freqüentes. Surgem com menor freqüência reação anafilática, sintomas respiratórios, febre isolada e, mais raramente, doença autoimune, dermatite esfoliativa, eritema pigmentar fixo, síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e necrose epidérmica tóxica (NET). As manifestações de hipersensibilidade a drogas mais freqüentes em pediatria são as reações cutâneas a antibióticos: exantemas maculopapulares, erupções urticariformes, eritema pigmentado fixo, reações do tipo doença do soro e reações de fotossensibilidade. Na maioria dos casos são autolimitadas e resultam da interação droga-vírus.


Diagnóstico

O diagnóstico de alergia a drogas baseia-se na história clínica detalhada , testes cutâneos de alergia e eventualmente provas de provocação. Na anamnese é importante definir com exatidão a relação de causalidade entre a administração da droga e início das manifestações clínicas. Outras características como forma e via de administração, patologia associada, medicação concomitante e administrações prévias da droga de vem ser avaliadas.

No caso de suspeita clínica de reação desencadeada por mecanismos alérgicos a confirmação do diagnóstico inclui a realização de testes cutâneos de alergia, prick e intradérmicos com avaliação da resposta imediata e tardia, e em casos excepcionais a realização de testes in vitro ( Rast). Nos casos de testes cutâneos negativos e na ausência de testes in vitro eficazes no diagnóstico de alergia a drogas, o teste de provocação (TP) controlado deve ser avaliado. O TP só deve ser efetuado, na ausência de contra-indicações, em meio hospitalar por pessoal altamente treinado e com apoio de emergência. Estão reservados a casos duvidosos em que é necessário a confirmação do diagnóstico e na investigação de drogas alternativas.

A avaliação laboratorial de paciente com possível reação medicamentosa, sobretudo naquelas de maior intensidade, poderá incluir hemograma, apontando a possível presença de eosinofilia (ex.: pneumonias eosinofílicas, reações por imunocomplexos, síndrome de Churg-Strauss, febre por drogas). A realização da análise de taxas de sedimentação, proteína C reativa, fator anti-nuclear (FAN), dosagens de complemento ou a identificação de auto-anticorpos pode indicar a presença de reações inflamatórias compatíveis com as vasculites por medicamentos.

A avaliação das funções hepática e renal e a análise de urina podem ser realizadas, auxiliando a confirmar suspeita de possível hepatite ou nefrite medicamentosa. Na fase aguda de uma reação anafilática (urticária, angioedema, hipotensão, choque) é possível coletar soro nas primeiras quatro a seis horas após o episódio para determinar a presença de triptase


Tratamento

A primeira medida a ser tomada no tratamento de qualquer RAM é a retirada de todas as drogas suspeitas. Se o paciente estiver em uso de vários medicamentos, retirar os menos necessários e os causadores mais prováveis, avaliando os riscos (necessidade da droga) versus benefícios (gravidade da reação). O tratamento farmacológico deve ser orientado conforme o quadro clínico.

Reações imediatas mais brandas, como urticária não extensa ou angioedema palpebral, geralmente respondem bem apenas com anti-histamínicos orais. Já reações mais graves como a anafilaxia, requerem tratamento de urgência, sendo necessárias medidas como: manutenção das vias aéreas, adrenalina intramuscular, anti-histamínicos anti-H1 e anti-H2, drogas beta-adrenérgicas e corticosteróides. Para o tratamento das reações tardias, como os exantemas máculo-papulares, dermatites de contato e eritema fixo, por exemplo, a droga de escolha é sempre o corticosteróide, podendo ser de uso tópico ou sistêmico, de acordo com a extensão das lesões.

O tratamento das reações graves, como a SSJ e NET é controverso, e envolve o uso de corticosteróides sistêmicos, imunossupressores e imunoglobulina intra-venosa, entre outros. A dessensibilização é o método destinado a induzir tolerância clínica a determinado fármaco. Este procedimento pode ter indicação em situações específicas, como na ausência de alternativas terapêuticas à droga que provocou a reação, protegendo o paciente de reações anafiláticas alérgicas ou não-alérgicas.


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